
Negociação dura, sem grosseria: como resolver conflito preservando posição
Muita gente confunde negociação firme com agressividade. Em disputas empresariais, agressividade costuma ser cara: ela reduz espaço de acordo, aumenta risco reputacional e empurra o conflito para o pior ambiente possível (judicialização longa e imprevisível). Negociação firme é diferente: é clareza de objetivo, limites e alternativas — com postura profissional.
O primeiro passo é separar “posição” de “interesse”. Posição é o que a parte pede (“quero desconto de 40%”, “quero receber integral”). Interesse é o motivo real (“não tive caixa”, “o serviço não entregou”, “preciso de previsibilidade”, “quero sair sem ruptura”). Quando você entende interesse, você cria opções. Quando discute só posição, você trava.
O segundo passo é preparar a negociação como se fosse uma reunião de conselho: fatos, provas, riscos, alternativas. Qual é o melhor resultado? Qual é o mínimo aceitável? Qual é o custo de litigar? O que acontece se eu não fechar acordo? Esse “plano de decisão” impede que a conversa vire improviso emocional.
O terceiro passo é construir narrativa curta e verificável. Três elementos: (i) o que aconteceu, (ii) quais cláusulas/combinações se aplicam, (iii) qual proposta resolve e por quê. Quanto mais a narrativa depende de “sensação”, mais difícil convencer. Quanto mais depende de fatos e trilha, mais poder você tem — inclusive para ser cordial.
A partir daí, vem a técnica: comece com um canal apropriado (às vezes reunião; às vezes carta/e-mail). Defina prazo. Evite “ameaças vazias”. Se você fala “vou processar” e não processa, você perde credibilidade. Se você nunca sinaliza consequência, você incentiva atraso. O equilíbrio é: proposta clara, prazo razoável, consequência proporcional e registro.
Outro ponto é o risco de “concessão sem contrapartida”. Se você concede prazo, peça garantias. Se concede desconto, condicione a quitação ampla e compromisso de encerramento. Se aceita corrigir entrega, defina escopo do retrabalho e prazo de aceite. A concessão sem amarra vira nova disputa.
Negociação firme também exige cuidado com pessoas e reputação. Em muitas disputas, o problema é mais “processo” do que “caráter”. Manter respeito facilita acordo e preserva possibilidade de negócios futuros. Isso não é “ser bonzinho”; é ser estratégico. Mesmo quando você decide litigar, a postura profissional conta: juiz, árbitro e mercado percebem.
No fim, boa negociação é gestão de alternativas. A empresa que tem prova, contrato executável e plano de ação negocia de cima. A empresa que improvisa entra em modo “desespero” e paga para encerrar. Em disputa, método é poder — e educação é eficiência.
Próximo passo
Se você quiser levar isso para a prática com escopo claro e rotina, veja como atuamos — e aprofunde na página da área.

